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Markup e margem: a diferença e como calcular sem errar o preço

MargemEquipe Fiscal Pack6 min de leitura
Composição com o papel toalha comprado a R$ 4,08: com 30% em cima da nota, preço de R$ 5,30, margem bruta de 43,4% e lucro de menos R$ 0,03 por pacote; pelo divisor, preço de R$ 5,66, markup de 88,7% sobre o custo real e lucro de R$ 0,17, 3% do preço

Markup é o quanto o preço está acima do custo, em percentual do custo. Margem é o quanto sobra do preço, em percentual do preço. Por isso os números não batem: um produto que custa R$ 10,00 e é vendido a R$ 13,00 tem markup de 30% e margem de 23,1%. No supermercado, a confusão fica maior porque o markup de cabeça costuma ser aplicado sobre o valor da nota, e não sobre o custo real, e porque o preço ainda precisa pagar imposto da venda, cartão, quebra e as despesas da loja. Um markup de 30% sobre a nota pode deixar a venda no prejuízo.

Qual a diferença entre margem e markup?

A base da conta:

  • Margem = (preço - custo) ÷ preço. Diz quanto de cada real vendido fica com a loja.

  • Markup = (preço - custo) ÷ custo. Diz quanto se põe em cima do custo.

O multiplicador é o markup somado a 1: com markup de 30%, preço = custo × 1,30.

Como transformar markup em margem, e margem em markup?

Com duas fórmulas:

  • Margem = markup ÷ (1 + markup). Markup de 30%: 0,30 ÷ 1,30 = 23,1%.

  • Markup = margem ÷ (1 - margem). Margem de 30%: 0,30 ÷ 0,70 = 42,9%.

Markup sobre o custo

Margem sobre o preço

Custo de R$ 10,00 vira

25%

20%

R$ 12,50

30%

23,1%

R$ 13,00

42,9%

30%

R$ 14,29

50%

33,3%

R$ 15,00

66,7%

40%

R$ 16,67

100%

50%

R$ 20,00

A margem nunca chega a 100%. O markup não tem teto.

Por que 30% em cima da nota não dá 30% de margem?

Por dois motivos: a base é outra, e o preço ainda tem de pagar a operação. Um exemplo com dados fictícios e regra real: um papel toalha de cozinha, 2 rolos, numa loja do Lucro Real no Pará. Ele não está nas listas de substituição tributária nem na cesta básica do estado, e paga o ICMS de 19% (Lei estadual 9.755/2022).

A nota traz R$ 4,08. O custo real é menor, porque a loja do regime normal credita o ICMS da compra e, no Lucro Real, o PIS e a COFINS (LC 87/1996, arts. 19 e 20; Lei 10.637/2002 e Lei 10.833/2003, art. 3º):

Compra

Valor

Preço na nota

R$ 4,08

(-) Crédito de ICMS, 19%

R$ 0,78

(-) Crédito de PIS e COFINS, sobre o valor sem o ICMS

R$ 0,30

Custo real

R$ 3,00

Com "30% em cima da nota", o preço fica em R$ 4,08 × 1,30 = R$ 5,30. Sobre o custo real, isso é markup de 76,7% e margem bruta de 43,4%. Parece folgado. Mas o preço ainda paga:

Sai do preço de R$ 5,30

Valor

ICMS e PIS/COFINS da venda, 26,49%

R$ 1,40

Cartão, 1,5% (exemplo)

R$ 0,08

Quebra, 1% (exemplo)

R$ 0,05

Despesas da loja, 15% (exemplo)

R$ 0,80

Resultado depois do custo de R$ 3,00

menos R$ 0,03

O imposto da venda soma 26,49% do preço: 19% de ICMS, calculado "por dentro", porque o próprio imposto integra a base (LC 87/1996, art. 13, § 1º, I), e 9,25% de PIS e COFINS sobre o preço sem o ICMS, que dão 7,49% (Lei 10.637/2002, art. 1º, § 3º, XIV; Lei 10.833/2003, art. 1º, § 3º, XIII). Cartão, quebra e despesas são números de exemplo: use os da sua loja. O post Perda no FLV e na padaria mostra como medir a quebra de cada seção.

O pacote a R$ 5,30 fica abaixo do preço mínimo que zera o lucro, o PMZ, de R$ 5,36.

Papel toalha comprado a R$ 4,08, custo real de R$ 3,00: com 30% em cima da nota, preço de R$ 5,30, margem bruta de 43,4% e resultado de menos R$ 0,03 por pacote; PMZ de R$ 5,36; pelo divisor com 3% de lucro, preço de R$ 5,66, markup de 88,7% sobre o custo real e 38,7% sobre a nota, lucro de R$ 0,17

Qual o markup que fecha a conta?

O que sai do divisor. Some em percentual tudo o que sai do preço e o lucro que você quer, e divida o custo real por 1 menos essa soma. Com 3% de lucro:

preço = R$ 3,00 ÷ (1 - 0,2649 - 0,015 - 0,01 - 0,15 - 0,03) = R$ 3,00 ÷ 0,5301 = R$ 5,66

A R$ 5,66, o markup é de 88,7% sobre o custo real e de 38,7% sobre a nota, a margem bruta é de 47,0%, e sobram R$ 0,17 por pacote, 3% do preço. Os mesmos três números mostram a régua do item:

  • Piso: R$ 4,22. Paga custo, imposto, cartão e quebra, sem as despesas da loja.

  • PMZ: R$ 5,36. Paga também as despesas, sem lucro.

  • Preço com 3% de lucro: R$ 5,66.

A conta completa, com cada parte do preço, está no post Precificação de produtos no supermercado.

O imposto de 26,49% sai inteiro do caixa?

Não. Na venda de R$ 5,66, o ICMS é de R$ 1,08, mas a loja já creditou R$ 0,78 na compra: paga R$ 0,30. O PIS e a COFINS da venda dão R$ 0,42, menos R$ 0,30 de crédito: paga R$ 0,12. O imposto que sai do caixa é de R$ 0,42.

A conta do preço usa os 26,49% cheios porque o crédito já foi descontado no custo real. Quem forma o preço sobre o valor da nota e ainda desconta o crédito da venda conta o mesmo crédito duas vezes. E, em produto com substituição tributária, a lógica muda: o ICMS vem no custo da compra e a venda sai sem ICMS destacado, como mostra o post Como calcular o ICMS-ST.

Onde o Fiscal Pack entra

A Calculadora de preço faz essa conta sem custo e sem cadastro: você informa a nota e o regime, e ela mostra o custo real, o markup, a margem, o piso, o PMZ e o preço pela meta, lado a lado com o preço atual. Para chegar aos números deste exemplo, escolha Lucro Real e a UF PA, informe R$ 4,08 de preço de compra com 19% de crédito de ICMS, 19% de ICMS na venda, 1,5% de custos variáveis, 1% de quebra, 15% de despesas operacionais e meta de 3% de lucro líquido, e desligue a linha de IRPJ + CSLL.

Na plataforma, a mesma conta roda para o catálogo inteiro, com o custo real das notas de entrada, o imposto observado nos cupons e a quebra medida por categoria. Conheça a frente de margem do Fiscal Pack.

Fontes

Consultadas em 29/09/2026.

Como o Fiscal Pack resolve

A gente corrige o cadastro, confere a apuração antes de você pagar e mostra onde o resultado está escondido. Você continua no sistema que já usa, sem mudar a rotina da loja.

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